A verdade de cada um- Consumo
Episódio tras 4 versões de pessoas diferente sobre o consumismo no dia a dia (a série exibida na Natgeo também tem um episódio sobre exploração de madeira que é muito bom também)
Documentário: CRIANÇA A ALMA DO NEGÓCIO
O documentário fala das ações de propaganda e o consumismo infantil
Música: 1406 dos Mamonas Assassinas
Gosto de trabalhar essa música pois faz a relação do querer com o ter além de ser uma linguagem jovem e atrativa para os alunos
3ª do Plural outra música que aborda o tema consumismo
Comerciais da TV também são uma grande fonte de exemplos, vou postar alguns e aceito sugestões ok?
E pra variar um pouco tem também uma poesia de Carlos Drumond de Andrade - EU ETIQUETA
Eu,
etiqueta
Em minha calça está
grudado um nome
Que não é meu de
batismo ou de cartório
Um nome... estranho
Meu blusão traz
lembrete de bebida
Que jamais pus na
boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a
marca de cigarro
Que não fumo, até hoje
não fumei.
Minhas meias falam de
produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a
meus pés.
Meu tênis é proclama
colorido
De alguma coisa não
provada
Por este provador de
longa idade.
Meu lenço, meu
relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto
e escova e pente,
Meu copo, minha
xícara,
Minha toalha de banho
e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico
dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso,
reincidências.
Costume, hábito,
premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim
homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria
anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda,
ainda que a moda
Seja negar minha
identidade,
Trocá-lo por mil,
açambarcando
Todas as marcas
registradas,
Todos os logotipos do
mercado.
Com que inocência
demito-me de ser
Eu que antes era e me
sabia
Tão diverso de outros,
tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte
e solitário
Com outros seres
diversos e conscientes
De sua humana,
invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora
bizarro.
Em língua nacional ou
em qualquer língua
(Qualquer,
principalmente.)
E nisto me comprazo,
tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá -
anúncio contratado.
Eu é que mimosamente
pago
Para anunciar, para
vender
Em bares festas praias
pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo
esta etiqueta
Global no corpo que
desiste
De ser veste e
sandália de uma essência
Tão viva,
independente,
Que moda ou suborno
algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade
de escolher,
Minhas idiossincrasias
tão pessoais,
Tão minhas que no
rosto se espelhavam
E cada gesto, cada
olhar,
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma
universal,
Saio da estamparia,
não de casa,
Da vitrine me tiram,
recolocam,
Objeto pulsante mas
objeto
Que se oferece como
signo de outros
Objetos estáticos,
tarifados.
Por me ostentar assim,
tão orgulhoso
De ser não eu, mar
artigo industrial,
Peço que meu nome
retifiquem.
Já não me convém o
título de homem.
Meu nome noco é Coisa.
Eu sou a Coisa,
coisamente.
(Carlos Drummond de
Andrade













